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sábado, novembro 01, 2008

Este dia traz-me à lembrança a Feira dos Santos em Borba...destino obrigatório para quem vive naquela zona do Alentejo.
Roupas, sapatos, vinho, água-pé, nozes, figos secos, castanhas e...romãs. Adoro romãs.
Granadas como lhe chamam em Espanha.
O que aconteceu às romãs que raramente aparecem nos supermercados?
Serão considerados frutos de 2ª quando comparados com as mangas, as papaias e tantas outras que nos chegam de zonas tropicais?
Que mal têem as nossas frutas?
Romãs, marmelos, diospiros...e os casamentos...alguém sabe o que são os casamentos?
Quando eu era miúda neste dia comiam-se casamentos, era assim que designavamos os figos secos com nozes dentro.
Que saudades desses tempos.
quarta-feira, junho 18, 2008




Salvação Barreto é um dos meus pintores favoritos. Ele consegue colocar na tela o meu Alentejo em toda a sua beleza.
sábado, março 01, 2008



Para matar saudades...
Bom fim de semana!
domingo, abril 15, 2007

(...) O Alentejo foi-se tornando um imenso país vencido, entregue a si próprio, silencioso e mágico.
Lembro primeiro a extensão, o ondular a perder de vista, os tons quentes, castanho e encarnado, dourado e ocre.
A imobilidade dos sobreiros e azinheiras, as formas retorcidas dos olivais, desenhadas a tinta-da-china no horizonte imenso, e a espantosa luz envolvente, naquele acordo secreto que a terra fez com o céu e que é parte da magia alentejana. Passado o primeiro choque surge o silêncio. Definitivo. Total. Criando um espaço próprio, primeiro vazio, asfixiante e assustador. A alma perde-se. Encontra-se e perde-se novamente na vertigem do encontro. Não fosse o dourado da luz e a eterna imobilidade dos montados, não fosse o cheiro a vida que sobe do restolho e a passividade serena das árvores e dos animais, a alma fugiria espavorida perante a imensidão da descoberta. Assim, aproxima-se lentamente, segura da permanência, num misto de medo e de confiança infantil. E espera...
Aos poucos surge a paz. Hesitante. Ficou tanta coisa para trás, tanta solicitação, tanta angústia, tanto medo!! A vida parece tão longe e a luta tão urgente! E se, enquanto nos entregamos ao silêncio neste "País de Fadas", o tempo continua a passar e nos trai, lá fora? E se, nesta imobilidade, nesta paisagem desenhada em traços largos e indefinidos, neste compromisso que a terra e o céu encontraram para criar todo este espaço e toda esta doçura, este cheiro a mel e alecrim, este vibrar de vida invisível e forte, nós nos vamos perder e ficar prisioneiros para sempre?
Mas entretanto a alma cresceu, ajustou-se aos contornos, habituou-se à grandeza. A paz instalou-se, o espírito compraz-se no silêncio, os olhos mergulham no horizonte longínquo e bebem a luz e a vastidão. A calma é doce, convidativa, acolhedora. Eterna. A alma sente-se bem.
E fica.
É assim o meu País. É assim o Alentejo.


Maria Faria Blanc
(desconheço o autor da foto)

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